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sábado, 31 de janeiro de 2009

albergue espanhol

Não sou uma, sou várias... sou toda essa confusão. Estive andando por essas ruas de São Paulo nas quais nem um paulista anda. Estive ali, sem saber o por quê. Na verdade, sempre estive nos lugares sem saber por que estava ali, se queria estar ali. Aquelas pessoas ilustravam toda essa minha confusão. Na hora, decidi onde queria realmente estar. Tudo começou naquela decolagem. Não na decolagem em si, propriamente dita, mas começou a partir. Nem preciso mais terminar algumas frases. O entendimento é o de menos, o sentimento é o que importa. A sensação. Sensação de sair correndo e ir viver a vida. A sua vida. Não dos outros, sua. A sensação de poder fazer o que quiser com ela. Eu corro com você, Xavier. Ven a Barcelona?!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

wake up

A transfiguração do ser
Em várias partes dilatadas
Sobrevivem com diárias dores
No coração pulsante
Errante como um pássaro que caiu
Estrelado e frio
A madrugada surgiu com nuvens
Da aurora já esquecida
Sonhos adormecidos
Insistem em assombrar
Ou nos acordar?

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

pensadores

Base do pensamento do sonhador? Ideal. Ideais? Estou cheia deles. Maquiavel, Hobbes, Rousseau. Quantos príncipes existem em minha vida? O homem é mesmo o lobo do homem? Houve mesmo um contrato social?
Movimento de urbanização. Culpa das Cruzadas. E também da peste negra. Protestos! Lutero! Conflitos. A burguesia fede. Só querem colonizar os espaços em branco. Total desordem. Corporações de ofício. Divisões de tarefas...
Só dividem, não multiplicam nem somam e acabam subtraindo o artesão, criam o salário, essa tal nossa remuneração, transformam tempo em dinheiro. A chave de tudo. Interesses que estão em jogo. A quem interessa essa prática & teoria? A todos, simplesmente todos, Hobbes e a monarquia inglesa. Descartes diz: apresento a ciência moderna em minhas obras! Hobbes gosta delas e usa o mesmo método. Condição para possibilidade de conhecimento. Penso, logo existo. Sou, logo existo. Sem conhecimento empírico!
Axiomas, verdades racionalizadas, não há espaço para dúvidas. Indubtável. 2+2 é 4? Pelo menos pense para ser enganado! O pensar é existência, eu sou, eu existo, ser pensante.
Vamos escolher premissas seguras para deduzir coisas. Pensamento cartesiano, sim, é matemático e interessante, por incrível que pareça.
Os animais raciocinam por prudência. Não há certeza. Não funciona matematizar o pensamento (isso na idade comtemporânea, é claro). A condição de indivíduo já lhe dá direitos. Enquanto indivíduo, eu tenho esses direitos. Teoria que convém à burguesia. Ainda assim, poder absoluto à monarquia? Os burgueses odiaram Hobbes.
Revolução Francesa? Trabalhadores & burgueses contra a monarquia? Vitória dos burgueses. Liberdade, igualdade & fraternidade. Para quem? Para os burgueses, lógico. E os trabalhadores? Mais tarde serão alvos do pensamento socialista que surgirá...

Hobbes escreve num momento de guerra civil. Como resolver esse conflito é o que ele mais pensa enquanro olha a devastação pela janela. Hobbes, meu caro, um constratualista nato. Estado de natureza, pré-político, pré-social. Sem organização. Locke & Rousseau compartilham desse contrato, apesar de grandes diferenças.
Insegurança, medo, violência. Um sujeito interessado em sua própria preservação. Você dispõe apenas de sua vida para manter-se vivo. Nenhum sujeito é forte o bastante para se garantir. Insegurança gera conflito. Ao invés de esperar ele me matar (eu sei que ele vai me matar), eu vou lá e mato ele primeiro. Confusão total, um desconfiando do outro, inevitavelmente. A solução? A passagem para o estado social. Mas é aí que Rousseau entra e diz que quando alguém fala 'isso é meu' é que começa o real problema. Já dizia alguém: 'toda propriedade é 1 roubo'. Como chegar ao estado de paz? Pacto, contrato, no fundo a mesma coisa. Acordo entre todos os indivíduos, afinal, todos querem resolver o conflito. Aceitar essa existência de um acordo, hipótese teórica.
Ah, se só se governasse para trazer a paz... A teoria é linda, linda, linda. Pena que é só teoria...
Por que existe o Estado? Porque você quer. Pela minha vontade, eu abro mão de minha liberdade - não, não abro! Se você não alienar toda sua liberdade, o conflito continuará. Dê sua liberdade, ganhe sua vida. Hobbes, não gosto disso. Rousseau, acho que prefiro você. Há limites no seu poder soberano! Ele deve respeitar a vontade do povo ou não é mais soberano! Ah, Rousseau, eu te amo.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

...

Era um dia seco e ensolarado, porém frio. Ela saiu de casa sem saber quem era, se é que era alguma coisa. Lembrou de tudo que escrevera até ali e tomou uma decisão: não ia mais fazer mais aquilo que não a deixasse feliz. Escrever era a sua arte, cantar era a sua vida, sempre vivera em um tom de dramaticidade, seu destino seria viver de arte, mas não sabe o que aconteceu no meio disso tudo. Agora ela procura alguma coisa que a faça feliz, o problema é escolher apenas um caminho entre os vários existentes. Queria mesmo era dividir-se em duas, três, quatro. Tudo ao mesmo tempo, hora, momento. Ela não sabe muito bem aonde isso vai dar, mas ela segue, deixando a vida mostrar.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

desencontros & reencontros

Um drink após o outro e a percepção aumenta. Distorções tomam conta da visão. Um olhar convidativo excita.
As luzes dão um tom onírico. Surreal.
O primeiro contato corporal. Sem cerimônias, sabemos aonde isso vai chegar.
Provocações mútuas. Quentes insinuações. Uma boca na outra, mãos em todas as direções. Um moinho de sensações.
Quem sabe um lugar mais calmo? O jardim parece óbvio.
Corpos na grama, formigas inconvenientes, êxtase.
Distantes há dois meses, foi um reencontro evidente.
O final sempre muito parecido com o início. Ou o contrário, tanto faz.

sábado, 18 de outubro de 2008

ratos

Não havia estrelas no céu. Nem a lua mandava a sua luz. Os astros haviam esquecido esse lugar. Mas o vento perfumava o ar com um cheiro doce. Um pouco enjoativo, é verdade. Mesmo assim, era doce. Ninguém ousava sair às ruas. Estavam todos enjaulados em suas próprias casas. A ilusão de proteção que muros e cadeados causam. Não poder sair de sua própria casa por medo da violência? Isso já é demais para mim. Deixamos de viver nossas vidas por insegurança. Como chegamos a esse ponto? Quem são os que realmente estão no poder? Tudo não passa de uma conspiração? Chega, chega. Nos privamos de nosso mínimo direito à liberdade. Não quero viver assim, não quero. E o que estamos fazendo para reverter essa situação? Porra nenhuma! Chega. Chega de ficar parada. Calada. Fecho a janela. Desço até a garegem, abro o portão e saio. Deserto, tudo deserto. Ou quase. Um cachorro branco dorme numa casinha improvisada. Até o bar da esquina encontra-se fechado. Um rato passa correndo há poucos centímetros dos meus pés. Ah, um rato! Os ratos sim são livres. Como gostaria de ser um deles nesse momento!

Continuo andando. Apenas os barulhos dos meus passos. O ar fica cada vez mais enjoativo. Sinto-me tonta, sento na calçada e acendo um cigarro. E outro, e outro, e outro.
O cachorro branco acorda e vem até mim. Você se sente sozinho, white dog? Como é ter as ruas como lar? Já foi atropelado? As pessoas te alimentam? Já teve um dono? Está com frio? Eu afagava sua cabeça e ganhava lambidas como recompensa. Aqueles olhinhos tristes e o rabinho abanando pelo meu simples gesto de lhe fazer carinho me consquistaram.
Eis que surge um grupinho de adolescentes visivelmente bêbados. O enjoativo cheiro doce é invadido por um forte cheiro de maconha.
O que a gracinha faz fora de casa a uma hora dessas?Acho melhor ir dormir antes que aconteça alguma coisa ruim, menina. Hã, tipo o quê? Por acaso a garotinha sabe com quem está lidando? Por acaso vocês não podem apenas responder uma pergunta? Olha, sinceramente, eu tô cansada de ficar presa em casa, de não poder sair quando eu bem entender porque dizem que não é seguro. Será que não dá pra dividir a rua? Eu tenho cigarros se vocês quiserem, aliás, eu poderia até emprestar meu celular, meu ipod, minha câmera fotográfica, vocês poderiam usar e depois me devolver, porque eu não sou nenhuma milionária pra ficar comprando essas coisas a toda hora. Nós poderíamos conversar, trocar experiências. Mas porra, por que não compartilhar as ruas pacificamente? Ninguém é melhor do que ninguém, porra. Não é porque eu tenho um carro ou uma casa legal que sou uma pessoa melhor, entende? Entende? Quer um trago? É das boas. Claro.
Alguns tragos depois...
Porra, o rato comeu aquele cachorro! Matem aquele rato! Ou melhor não matem, se não o cachorro morre também. Lembra da estória da Chapeuzinho Vermelho? Precisamos abrir a barriga do rato e tirar o cachorro de lá! Cadê o caçador?
Só sei que de repente as estrelas e a lua voltaram. O céu estava iluminado.
Eles não quiserem meus cigarros, nem meu celular, meu ipod ou minha câmera. Sei que a noite poderia ter terminado tragicamente. Mas não terminou e é isso que importa. Sei que nem todos os grupinhos de adolescentes bêbados, drogados & armados são legais. Mas aqueles eram.
Andei de volta para casa. White dog são e salvo comigo. Eu era livre, finalmente livre. Coloquei White dog na garagem, dei água e comida, mais tarde o levaria ao veterinário e ao pet shop. Subi para o quarto. Tirei a roupa e entrei embaixo do chuveiro. Um único pensamento martelava minha mente: de quem realmente devemos ter medo?

terça-feira, 14 de outubro de 2008

writer

Já estamos na primavera, Bandini. E o que temos feito, Arturo Bandini? Ainda sentimos os estragos causados pelo terremoto em Long Beach? Sim, ainda há feridas. Creio que elas sempre existirão. Mas sempre há um jeito de camuflá-las, escondê-las. Às vezes elas machucam, mas já não doem como antes. Amortecidas, adormecidas. Não há linhas retilíneas. Não sabemos quem somos, mas acho que sabemos o que não queremos ser. Não sejamos hipócritas, caro Bandini. Foda-se tudo isso, aquilo e o resto do mundo, somos escritores, somos escritores. ESCRITORES. Nossa vida é feita a partir de coisas intensas, tanto boas quanto ruins, felizes e tristes, por vezes, dolorosas, outras insanas, desvirtuosas. Estamos no caminho certo? Não existe certo ou errado para nós, meu caro. Bunker Hill nos espera, Bunker Hill nos espera. Enquanto isso, vamos nos perdendo pelas ruas sujas com nossa tosca literatura...
Meg, amo você garota.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

cotidiano de um casal feliz

Dessa e eu dentro do carro, ouvindo Matanza em um trânsito caótico na Rebouças. Destino final? Mackenzie, é claro. Bar do Mackenzie, para ser mais exata. Com o Vesh! Conheci o Peter e o Kae. Amanhã repetiremos a dose, boys!

"E se a gente perder, que seja derrota suada, sofrida, roubada... De mão beijada nem a pau... E se a gente ganhar, que seja vitória disputada, merecida, conquistada." - Jay Vaquer ♥
Tanta coisa sobre o que escrever e poucas palavras se encaixando, pensamentos embaralhados, desconexos, complexos. Talvez seja apenas um reflexo... Não, chega, eu protesto contra rimas escrotas. Estou farta do lirismo comedido! Ah, modernismo... Please, sem arcaísmos. Apostar no diferente, inconsequente, incoveniente, ardente. Apagar aquele passado errado, estar pronta para novas emoções, situações, corações, sempre. Evitei transparecer, aparecer, parecer. Parei. Não me importei. Não me importo, não mais. Aprendi, amadureci e agora estou aqui. Num jogo de palavras que passam como um trailer de um filme B norte-americano em minha mente. A falta que a falta faz. Nada vai desmerecer tudo o que já fomos. Palavras do Jay, minhas palavras. Nossas palavras. Apenas palavras. Ao vento? Espero que não. Hesito, uso adjetivos, são inativos, não há artifício. Seja lá onde isso vai dar, eu estou indo, eu estou indo, estou indo, estou, indo.
Devaneios estrondosos, patéticos, céticos. Vivendo em um mundo paralelo. Correndo por cenários existentes apenas mentalmente. Gosto de histórias quentes, tenho você em mente. Você sabe. Invento o começo, o meio e o fim. Minha ficção é real. Minha realidade é ficção. É a condição de todos os escritores. Dramatizar tudo é a minha função. No fim, acho que bem lá no fundo, tenho um coração.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

posso

Sono, uma estranha vertigem. Vontade de gritar, cantar Killi com aquela voz histérica, enterrar minha consciência, ficar inconsciente.

"Outra escolha a fazer
Eu não quero nem ver
Tanto faz, só sei que ainda
Não estou pronta"
Amanhã eu viajo, não vejo a hora de sair andando à cavalo, pisar na grama ainda úmida pelo orvalho, respirar ar puro. Talvez a poluição de São Paulo tenha me poluído também. Renovar as energias é sempre bom.
"Sei que eu tenho condições
Já decidi
É uma questão de tempo
E eu vou provar"
Preciso de um escape às vezes. É um porre estar sempre cansada. É um porre não fazer tudo o que eu quero fazer. Ah, Killi entrando na minha mente...
"Posso tudo o que quiser
Só preciso acreditar
E nada vai me fazer desistir
A hora ainda não passou
E tenho tudo em minhas mãos
E ninguém vai poder me impedir"
Como você se sentiria se estivesse presa em um mundo que não te pertence? Se vocês soubessem como estou cheia de toda essa hipocrisia na qual vivemos... Preciso de experiências novas. Sensações novas. Quero uma vida nova.
"Me disseram para ser
Alguém que eu não quero ser
Isso só faz crescer a vontade aqui dentro
De mostrar pra todos
E calar a boca de todos"
O sono se esvaiu um pouco. Porém continuo com aquela estranha vertigem. Talvez eu deva dormir mais. O dia poderia ter bem mais do que apenas 24 horas. Mas como diria Einstein, o tempo é relativo, baby. Relativo é o que eu sinto. Desperto meus sentidos. Acelero meus instintos. Tento preservar minha sanidade. Tarefa nada fácil, mas insisto. Resisto até. Uso artifícios. Rio. Crio novos tipos. Restauro arquetipos. Recrio algo já eterno. Evito equívocos. Tenho vícios. Evoco artigos já esquecidos. Admito. E minto. Então eu grito. Retiro a espada e luto. Corro, venço, perco. Retorno ao estado mais vadio possível. E já não me importo, já não me importo, não me importo, me importo, não, me, importa sim!
P.S: Pedro, já percebeu como sempre complicamos as coisas?! É até engraçado. De um modo bem dramático, é claro.

domingo, 14 de setembro de 2008

espere a primavera, june

Dias frios, chuvosos e cinzentos. Let's get lost, dias perfeitos para isso. Descobri que ler Henry Miller, John Fante, Jack Kerouac, Charles Bukowski e Anaïs Nin me faz entrar em contato comigo mesma, posso me ver refletida nas páginas dos seus livros. Mas a Anaïs chega mais profundamente. Talvez pelo fato de ser mulher. A questão é que me deparo com meus próprios conflitos em seus livros, apesar de não ser nem um pouco moralista como ela era antes de embarcar em suas descobertas, ela consegue tocar meus pensamentos mais profundos, eu piro com isso. Preciso de um Allendy. Nossas mentes são totalmente insanas, Anaïs, somos escritoras, nos apaixonamos pela mente das pessoas, nossa mente é inquieta, inquieta. Você me proporciona loucura, minha própria loucura foi escrita por você. Tão diferentes e tão iguais, qual é o nosso problema, Anaïs, me diga, qual é? Se pelo menos pudéssemos nos ver livres dessa conscientização, de nossa própria consciência... A cada página eu me conheço mais, a cada página há mais conflitos, verdades, mentiras, soluções, traições, relações, não sei se você me faz bem ou mal, eu não me sinto nem um pouco alegre após ler seu diário, porém sinto que existe ali um pedaço de mim. I'm your June, Anaïs! Forget Henry, please!

Ontem foi o chá de bebê da minha professora da 1ª série, que trabalha comigo. Yes, ela foi minha professora na 1ª série e agora trabalhamos juntas no mesmo colégio. Vai ser menina! Toda sorte do mundo para ela(s).

E por falar em mães e afins, estou cansada de sempre concordar com o que minha mãe fala só para não magoar ela ou coisa do tipo. Só eu sei pela barra que passamos e apesar de eu não querer ver ela sofrer mais, não posso renunciar a minha vida por isso. Ou melhor, posso, porque é isso que eu estou fazendo, mas não quero, não quero, não quero. I'm sorry mom, but I'm not the daughter of your dream.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

cinderelas compulsivas

"Serão todas as nossas emoções mais fortes agora que damos vazão à elas?" (Anaïs) ♥
Agora tenho companheiras aqui, ALICE e CLARAH, que podem entrar arrombando a porta mesmo, sem pedir licença. Nos próximos posts eu apresento decentemente as ladies.

Passei vários dias sumida, I know. Semana agitada, sem tempo para tudo aquilo que quero... Na faculdade, morrendo de sono (não tenho dormido bem ultimamente) e querendo desesperadamente um cigarro. Vou lá embaixo fumar e hoje a noite, quando chegar em casa, escrevo mais e mais e mais e mais, porque minha necessidade de me expressar é altíssima e tenho muita, muita, muita, muita coisa para transformar em palavras.


Acho que é o sono, mas agora que chego em casa, após um dia insuportavelmente quente, a única coisa que quero é dormir. Ok, também quero ler meus livros do Fante e falar com o Pedro, mas enfim... A questão é que aquela fúria por escrever se foi e as palavras não saem com a espontaniedade habitual. É, talvez tenha sido o dia estranho. Como o dia de hoje não foi muito produtivo, falaremos sobre ontem.
"Clarah precisa ir ver um vestido, pois será madrinha do casamento de-não-me-lembro-quem. Então em uma manhã de quarta-feira resolve sair mais cedo da faculdade. June, de saco cheio da aula, resolve acompanhá-la. Porém, as intenções de June são bem mais interessantes.
-Clarah, vamos fazer uma tattoo?
-Agora?
-É.
- Demorou, pequena.
Rodaram toda a Vital Brasil procurando um estúdio. - Como assim não tem uma porra de um estúdio de tatuagem nessa merda de avenida? -. Andaram até a Francisco Morato para pegar um ônibus para Pinheiros. Passaram uns três pontos e chegaram ao ponto final. - Merda, nada feito - . Andaram, andaram, andaram, meio perdidas. Resolveram pegar outro bus para chegar na Teodoro. Finalmente um estúdio à vista! Desceram. A fucking amazing place. Mas não aceitavam cartão. E o banco tava com os caixas eletrônicos fora de sistema. Frustradas? Que nada. Sentaram num boteco qualquer e beberam a cerveja mais gostosa de toda as suas vidas. E ainda aproveitaram as lojas de instrumentos musicais que os rockers gatinhos costumam freqüentar."
Ah, como eu gosto de escrever em terceira pessoa... E como gosto de dias assim, pessoas assim, que se rendem a impulsos momentâneos maravilhosos. Clarah, minha companheira de aventuras, próximo final de semana livre a Paulista e a Augusta são nossas a noite inteira, só nossas, porque compartilhamos a necessidade por liberdade, intensidade, cigarros, baralho e algo alcóolico para beber. Ainda arrastaremos Alice por esse caminho, ela também precisa disso às vezes. Todas nós, todos nós, precisamos. Minhas garotas, eu amo vocês.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

i'm a little bit june

"Don't know where I am, don't know where I've been. So I thought I'd let you know. And I thought it was strange, you said everything changed. With these things there's no telling we'll just have to wait and see. Besides, maybe this time it's different". "But everything seemed different and completely new to me. But when crying don't help, you can't compose yourself, it is best to compose a poem an honest verse of longing or simple song of hope. That is why I'm singing... Baby, don't worry cause now I got your back." - Bright Eyes ♥

June Miller, June Miller, June Miller. Precisamos ter uma conversa, June, vamos continuar fugindo ou vamos tentar deixar isso que nos bloqueia de lado?

domingo, 31 de agosto de 2008

and kissed me till the morning light

Já fazem 3 dias que a voz da Regina Spektor ecoa em minha mente. Ouço compulsivamente, obssessivamente.
A aula de canto sábado foi super interessante, professor novo, super engraçado. Ah, ganhar a vida cantando, escrevendo e atuando. Um dia, um dia.

"- Você já se sentiu alguma vez cheia de tudo? – perguntei. – Quer dizer, você alguma vez na vida já ficou com mede de que tudo vai dar errado, a menos que você faça alguma coisa?"
" A coisa toda se aplica aos homens que, num momento ou outro de suas vidas, procuram alguma coisa que seu próprio meio não lhes podia proporcionar. Ou pensavam que seu próprio meio não lhes podia proporcionar. Por isso, abandonam a busca. Abandonam a busca antes mesmo de começá-la de verdade."

Yes, Holden, já me senti assim. Na verdade, era assim que eu estava me sentindo. Eu tinha abandonado a busca. Mas estou de volta. Estou de volta!
E é o máximo como as coisas ficam muito mais interessantes. Adoro quando as pessoas entram na minha vida inesperadamente e me surpreendem. Tipo o John, que escreve coisas fantásticas, tem uma banda e em janeiro vamos pro Chile -não, não pensem putaria, a garota dele vai junto, ele fala super bem dela, certamente é uma guria bem legal, e deixa eu confessar, acho tão sweet ele chamar ela assim, "minha garota"-! Insano, eu sei, ele sabe, compartilha da minha intensidade. Carpe Diem, não é mesmo?! Falei com ele ontem pela primeira vez, mas já tinha lido várias coisas no blog dele, então parecia que já nos conhecíamos. É incrível como aparecem pessoas na nossa vida com as quais temos conversas fantásticas, compartilhamos sonhos e frustrações e em um minuto vocês já se sabem mais coisas um do outro do que daquele vizinho que tu vê todo dia mas nunca teve vontade de dizer mais do que um bom dia. Sintonia, eu realmente acredito nisso. John, nossas mentes pervertidas são o máximo, baby!

Tá ficando tarde, amanhã acordo cedo, e cadê a vontade de dormir? Argh, tenho provas para corrigir, trabalhos para fazer. Lembrem-me de falar com meus pais sobre trancar a faculdade, please.

sábado, 30 de agosto de 2008

a woman first of all

"Apetece-me ouvir música rouca, ver caras, roçar-me em corpos, beber um ardente Benedictine.
Mulheres belas e homens atraentes despertam ardentes desejos em mim.
Quero dançar.
Quero drogas.
Quero conhecer pessoas perversas, ser íntima delas.
Nunca olho para caras ingénuas.
Quero morder a vida e ser despedaçada por ela.
Henry não me dá tudo isso.
Eu despertei o seu amor.
Que se lixe o seu amor.
Ele sabe foder-me como mais ninguém, mas quero mais do que isso.
Vou para o Inferno, para o Inferno, para o Inferno.
Selvagem, selvagem, selvagem." (Anaïs Nin) ♥

Anaïs, eu queria te telefonar (oh yeah, super Holden Caulfield, "bom mesmo é o livro que quando a gente acaba de ler fica querendo ser 1 grande amigo do autor, para se poder telefonar pra ele toda vez que der vontade", e como eu quis telefonar pro Salinger quando li isso, mas voltando à minha musa), conversar um pouco contigo, só um pouco e eu já estaria feliz. Queria ser sua June e seu Henry ao mesmo tempo, mas não seu Hugo, ele é um bocado chato. Eu, que achava te conhecer sem ter lido seus diários, agora compreendo que quase nada sabia, entro num mundo ao mesmo tempo parecido e diferente do meu e como me delicio lendo tudo o que você escreveu - e viveu-. Também quero aquilo, isso. Anaïs, June & Henry, quero possuir os três, no fim sou os três condensados em um só.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

vida que é para ser intensamente vivida

“Há alguma coisa aqui que me dá medo. Quando eu descobrir o que me assusta, saberei também o que amo aqui. O medo sempre me guiou para o que eu quero. E porque eu quero, temo. Muitas vezes foi o medo que me tomou pela mão e me levou”.

Porque isso (também, baby) é Clarice, inspiração de hoje e de sempre.
E eu não tenho medo de senti-lo.
Os caminhos que percorremos às vezes são assustadores, mas não é por isso que deixaremos de trilhá-los. Não adianta tentar anestesiar o que existe dentro de você por medo de quebrar as regras pré-estabelecidas. Nesse jogo não há regras definidas! Há, porém, algo que deveríamos fazer: não ter medo de sentir medo. Eu não tenho, não mais! E como eu me sinto bem por isso! Não vou voltar a viver uma vida que não é a minha por medo de arriscar, medo de mostrar para os outros o que eu realmente quero. E agora, talvez pela 1ª vez, eu sei o que eu quero. Então nenhum medinho filho da puta vai fazer eu querer voltar atrás e me tornar uma hipócrita covarde. Porque eu nasci para ser subversiva! Eu sou do roqueeee, junkie, o que restou da geração beat e que agora anda pelos bares, baladas, cineclubes e arredores de uma rua chamada Augusta.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

keep writing, girl

Porque eu quero viver disso e foda-se a faculdade de Direito.
Porque eu poderia escrever a minha vida inteira e nunca me cansaria disso.
Porque eu amava ver as minhas notas de redação e as minhas sempre eram as maiores notas da sala.
Porque sempre foi isso que eu amei fazer, desde que me entendo por gente, vide meus diários e cadernos que lotam as estantes lá de casa.
Porque descobri que essa é a minha única certeza.
Escrever.
Porque agora eu vou aplicar a tecla foda-se a tudo o que não está me deixando viver.
Escrever, escrever, escrever.
Se eu sempre fiz isso, sempre amei isso, porque eu tô fazendo Direito? Porque eu deixei uma sociedade hipócrita me convencer de que eu não devo ir atrás do meu sonho e de que eu deveria exercer uma profissão que me dê estabilidade e me torne uma hipócrita de merda também. Ahn. Mas, baby, vocês não me convencem mais. Ah, não convencem mesmo!

sábado, 16 de agosto de 2008

sou aquilo que manifesto

- Você tende a ser pessoa impulsiva, ambiciosa e torna-se brusca e agressiva quando não consegue realizar suas ambições. Tem capacidade de liderança e capacidade de direção, mas com propósitos reformistas. Tem forte vitalidade, mas tende para os estados febris. Segure mais seus rompantes e impulsividade.

- Você gosta da literatura, das artes e da beleza, mas suas atitudes frias, distantes, pouco simpáticas, impacientes e irônicas afastam a afeição que os outros possam ter por você. Sua reputação social e profissional pode sofrer vários danos. Procure se dar um pouco mais.

sábado, 9 de agosto de 2008

significativo

Sexta-feira foi um dia expressivo. Meu professor de ciência política disse que minha prova tava ótima. Fui pra o bar com o pessoal, joguei truco como nunca tinha jogado antes ainda reparei no quanto os olhos verdes de alguém podem chamar a minha atenção e exercer um fascínio momentâneo.
Era para eu ter ido no aniversário da Sah hoje, mas nem deu. Sah, eu te amo mesmo assim!
Essa chuva leva consigo tudo aquilo que há de inutilizável em mim, me renovo, te devoro, entorpeço e enlouqueço, abro-me para o novo, o medo sempre me levou para aquilo que eu quero, continuo, vivendo, e não apenas existindo.

sábado, 2 de agosto de 2008

my wonderland

Através do espelho, meu próprio país das maravilhas, a curiosidade de Alice, meu cheshire cat... e o tempo, relativo, coelho, branco, cartola, mágica. Possibilidade ser ser grande ou pequena, os dois ao mesmo tempo. Não há maldade, bondade, apenas há. As coisas apenas são. Elas são. Aprendi a sentir. Senti-las.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

go ahead

Era um dia seco e ensolarado, porém frio. Ela saiu de casa sem saber quem era, se é que era alguma coisa. Lembrou de tudo que escrevera até ali e tomou uma decisão: não ia mais fazer mais aquilo que não a deixasse feliz. Escrever era a sua arte, cantar era a sua vida, sempre vivera em um tom de dramaticidade, seu destino seria viver de arte, mas não sabe o que aconteceu no meio disso tudo. Agora ela procura alguma coisa que a faça feliz, o problema é escolher apenas um caminho entre os vários existentes. Queria mesmo era dividir-se em duas, três, quatro. Tudo ao mesmo tempo, hora, momento. Ela não sabe muito bem aonde isso vai dar, mas ela segue, deixando a vida mostrar.