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domingo, 15 de fevereiro de 2009

trote

Podem falar o que quiserem do trote. Até que ele tem origem na ditadura militar, onde os militares veteranos faziam os novatos passarem por um espécie de inicialização... Mas porra, é completamente inofensivo - não para suas roupas, seu cabelo, sua pele - e totalmente divertido quando é realizado de forma digamos, tradicional, ou seja, não passa dos limites. A tinta, farinha, café, mostarda, catchup, ovo ou sei-lá-o-que são o must have, assim como o famoso 'elefantinho', as bebidas - sem muito exagero - e o pedágio. É realmente um ritual, algo que indica que agora o adolescente está na faculdade, começa a ingressar no mundo adulto. Sem contar que o trote promove a maior socialização entre bixos e veteranos.

Experiência própria, baby. Semana passada, trote da Cásper. Indescritível. Sabe aquela sensação de que agora a vida realmente começou? De que agora você está indo no caminho certo? Com absoluta certeza, a Cásper é a faculdade que eu sempre quis.
Mas... voltando ao trote, bixo que não quer participar do trote fica em casa, porra. Fica em casa e perde toda a animação, é claro.
Cabelo cheio de guache, cola, farinha, roupa com café, cola? Micos pedindo dinheiro? Dançando no farol? Falando em inglês com os gringos que passavam? Veteranos enchendo o saco? E daí?! Conheci pessoas fantásticas, entre bixos, bixetes, veteranos e veteranas, dei muita risada, exercitei meu inglês e ainda por cima bebi cerveja com o dinheiro dos outros!
Como canta o Rappa, "VALEU A PENA Ê Ê!"

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

ópio

"Eu não quero ver você fumando ópio pra sarar a dor". Uma vida interrompida. 20 anos e uma vida inteira pela frente. Uma parada cardiorespiratória e em um instante tudo pode acabar. Sonhos, planos, tudo se esvai. Resta a esperança e a fé de que tudo dê certo e seja superado. Hoje fazem exatamente 20 dias. Há 20 dias você está em coma, em cima de uma cama de hospital, com médicos esperando pelo pior. Fodam-se os médicos. Eu espero pelo melhor.

Apenas quando coisas assim acontecem é que nos damos conta da fragilidade do ser humano, da instabilidade da vida.
Vai passar, tudo isso vai passar.
Laylinha, tô aqui pra o que der e vier, sempre, não esquece disso.

sábado, 31 de janeiro de 2009

albergue espanhol

Não sou uma, sou várias... sou toda essa confusão. Estive andando por essas ruas de São Paulo nas quais nem um paulista anda. Estive ali, sem saber o por quê. Na verdade, sempre estive nos lugares sem saber por que estava ali, se queria estar ali. Aquelas pessoas ilustravam toda essa minha confusão. Na hora, decidi onde queria realmente estar. Tudo começou naquela decolagem. Não na decolagem em si, propriamente dita, mas começou a partir. Nem preciso mais terminar algumas frases. O entendimento é o de menos, o sentimento é o que importa. A sensação. Sensação de sair correndo e ir viver a vida. A sua vida. Não dos outros, sua. A sensação de poder fazer o que quiser com ela. Eu corro com você, Xavier. Ven a Barcelona?!

domingo, 25 de janeiro de 2009

oriente-se

Nunca entendi muito bem as razões de todos esses conflitos que acontecem no Oriente Médio. Sempre é aquela mesma história dos judeus israelenses reivindicarem a sua 'terra santa', situada na Palestina, que por sua vez, já era ocupada (dãr) pelos muçulmanos palestinos. Ok, lembrando que nem todo israelense é judeu e nem todo palestino é muçulmano. Mas existem questões muito além das questões territoriais. E o conflito não é só entre Israel e Palestina, a coisa também é feia no Afeganistão, na Cisjordânia, na Síria... Juro que vou me empenhar pra entender. Enquanto ainda não compreendo o episódio inteiro, falaremos sobre os últimos acontecimentos. Não, essa não foi uma intenção medíocre de rimar. Não gosto de rimas desde que conheci o parnasianismo. Mas retomemos o assunto...

Na palestina existem dois grandes grupos, o Fatah e o Hamas. Obviamente, como vemos nos noticiários, o Hamas é o mais radical e o mais forte politicamente e militarmente. Sendo assim, o Hamas dispara foguetes contra Israel, que por sua vez, é ainda mais forte militarmente (e politicamente) e dispara foguetes ainda mais potentes. E como se não bastasse, prepara uma invasão por terra. Seus exércitos invadem a Faixa de Gaza, território que era pra ser um refúgio, mas que se tornou o palco da guerra. O mundo inteiro tenta convencer os dois lados a assinar um acordo de paz, uma trégua, qualquer porra de documento que finja por fim a um conflito que já dura séculos. Então Israel declara uma trégua e ponto final. E as pessoas que morreram (e continuam morrendo) nesse conflito? As pessoas que ficaram desabrigadas, sem alimento, sem água, luz? As crianças sem escola, a cidade em ruínas. "Ah, eles já estão acostumados com isso". Querendo ou não, nós mesmos estamos acostumados com isso, de tempos em tempos, a mídia retrata algo parecido por lá.
Um imenso sentimento de impotência toma conta de mim.
Mas já passou. Agora todos nós ligamos a tv é pra ver o Obama assumir a presidência. Esqueçam o Oriente Médio, a nova manchete agora é o novo presidente dos EUA. Orem, peçam tudo que quiserem ao Obama, ele é a nossa salvação, ele nos livrará de todo o mal, amém.
Ah, vamos lá, tudo bem que o cara é realmente foda, que desde os meus queridos anos 60 não houve um movimento político que abrangesse o mundo inteiro como a campanha política do Obama, que há muito tempo um líder político fosse tão aclamado, que é uma grande conquista eleger um presidente negro, - sem contar que o cara aprovou o fechamento da prisão de Guantánamo -, mas convenhamos, depositar a esperança do mundo inteiro em uma única pessoa é no mínimo, arriscado demais.
Acredito no Obama, yes, we can, mas acredito muito mais no poder de todas as pessoas que se uniram pra votar nele, nas pessoas do mundo inteiro que se uniram pra apoiá-lo.

domingo, 18 de janeiro de 2009

inabalável

Última sexta-feira. Uma balada em comemoração do aniversário de 19 anos da Let. Como nos velhos tempos de colégio, Alice, Julie, Lê & eu. Só que agora com carteira de habilitação e carro. Lembro de quando não víamos a hora de ter nosso próprio carro e sair por aí sem depender de ninguém, de quando combinávamos das baladas em que iríamos, e hoje todas estamos em êxtase de ver que esses planos foram postos em prática e que continuamos juntas.
Chovia consideravelmente. O carro da Nick ficou com um clima um pouco tenso enquanto nos dirigíamos em direção à Happy News. O Rodrigo Rios – sim, aquele que canta no programa do Raul Gil -, ex-atual-futuro namorado da Nick não estava nos seus melhores dias. Os dois discutiam, e nós quatro atrás fofocávamos sobre as atitudes deles, tipo a de comentar entre eles que a nossa roupa estava exagerada, só porque nós 4 estávamos bem mulherzinhas, meio piriguetes, de shorts curto, blusinha e salto. Como se ligássemos pra o que os dois pensam. Ok, ficamos um pouco abaladas, mas nada demais. Depois passou.

A chuva havia diminuído consideravelmente, ao chegarmos na Happy News restavam apenas alguns finos pingos. Enquanto esperávamos o resto do pessoal na porta, cigarros e chicletes.
Cansamos de esperar. Entramos. Fomos pra uma mesa, pedimos caipivodka de morango. Mais cigarros. Finalmente eles chegaram, guris que estudaram com a gente também, Fred, Lucca e Robert. Mais uma mesa. Mais bebidas, mais cigarro. Começa a tocar rock. Começamos a nos empolgar.
Terminada a vodka do copo, restam pedaços de morango e gelo. Um gelo vai pro decote da Alice. Outro pra boca da Let. Alice coloca a mão dentro do copo e começa a distribuir gelo e morango entre nós. Uma cena até, digamos, sexy pra os garotos presentes. Mas não pra nós!!!
O nosso quarteto fantástico começa a gritar as letras das músicas, fazendo altas declarações de amizade, brincando de se pegar, causando naquele lugar. A pista de cima abre. Subimos. Mais cigarros. Música alta, corpos dançando na pista, olhos fechados, coração no mesmo ritmo da batida, QUATRO GAROTAS EM SINTONIA. A música, definitivamente, nos contagia. Dançando como se ninguém estivesse olhando? Dançando pra que nossos alvos olhassem! Não vou mentir falando que fomos apenas pra dançar. Antes de sair de casa prometemos que ninguém ia sair zerada. Porém, ir pra balada só pra beijar também não é a nossa praia. Mas junta possibilidade de beijar com música pra dançar + ambiente que gera clima pra fazer os dois. Quer mais o quê?!
Mais bebidas. Mais cigarros. Garotas desinibidas, caras idiotas tentando beijar à força, caras legais que conseguiam sem ter que forçar.
Umas garotas também vestidas de shorts preto e blusinha branca chamando Julie & eu de amigas e chamando pra tirar algumas fotos juntas.
Voltando pra pista, vejo o cara mais gato de todos. Dreads no cabelo, olhos claros, camiseta branca, calça jeans e all star. Jeito de modelo. E dando sopa ali perto. Dançava perto, lançava olhares, e nada. Então um outro cara, super gato também, veio falar comigo. Cabelo bem curtinho, daqueles que são raspados, olhos dissimulados castanhos, boca e nariz em completa harmonia. Aquele papo de sempre, mas aquela pegada... Uou. Deixemos pra trás por um instante o cara de dreads. Mais tarde descobri que a Alice também tinha beijado ele. Se isso afetou a gente? Nem lembrávamos o nome dele...

A noite passava sem que percebessemos, nossos corpos dançavam sem sinais de cansaço, a maquiagem borrada era apenas um indício de que a diversão já havia começado há algum tempo, os pés no salto alto estavam anestesiados para dor.
A pista vai esvaziando aos poucos. A música continua. Nós continuamos. Os cigarros, as bebidas continuam. Aquela vertigem visual e sonora.
5 horas da manhã. Hora de partir. Ah, mas tão cedo assim?
Comandas pagas, hora de voltar pra realidade. O mundo inteiro acordar e a gente dormir, como diria Cazuza. Dormir? Dormir é pra os fracos, baby. Nosso sábado tinha apenas começado...
E o cara de dreads? Ah, esse é uma outra estória (é, assim mesmo), my darling.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

wake up

A transfiguração do ser
Em várias partes dilatadas
Sobrevivem com diárias dores
No coração pulsante
Errante como um pássaro que caiu
Estrelado e frio
A madrugada surgiu com nuvens
Da aurora já esquecida
Sonhos adormecidos
Insistem em assombrar
Ou nos acordar?

sábado, 10 de janeiro de 2009

riot grrrl


Tudo começou com aquela história de Eva ter sido criada a partir de uma costela de Adão. Já começaram dizendo que éramos seres inferiores, surge a idéia da nossa devida submissão aos machos. Então, Eva é convencida pela serpente - outra figura feminina - a comer o fruto proibido. Ela come e todos são expulsos do paraíso.
Mas que porra de paraíso é esse em que todos são obrigados a renunciar seus desejos?! Que bela concepção de paraíso, Sr. Deus.
Por que aceitamos tudo isso?!
Vivemos em uma sociedade extremamente machista. É claro que já foi pior, mas hoje o preconceito tá tão enraizado que nem o percebemos mais.
Antigamente era inadumissível uma mulher sair sozinha, perder a virgindade antes do casamento - o que não mudou pra algumas culturas -, trabalhar fora de casa, usar calças, frequentar um ambiente tipicamente masculino, nem o direito ao voto a mulher tinha, e isso só pra citar alguns exemplos...
Foi só a partir dos anos 60 que as mulheres começaram verdadeiramente a ter destaque perante a sociedade. Junto com toda a efervescência política daquela época, surge a míni-saia, a pílula anticoncepcional, a idéia de independência financeira feminina... eis o surgimento da revolução sexual, surge um novo comportamento, a busca por prazer e emancipação, a quebra de antigos paradigmas, o anseio por liberdade e igualdade, a paz e o amor dos hippies... Mulheres & homens combatendo a caretice comportamental que reinava até ali. As coisas começaram a mudar, mas ainda tinha muita coisa a se fazer.
Mais pra frente, nos anos 90, influenciado pelas feministas dos anos 60, surge o movimento riot grrrl nos EUA. Esse movimento foi popularizado por bandas de meninas, como a fantástica Bikini Kill, que vieram por um fim no mito de que mulher não podia tocar intrumentos musicais tão bem quanto um homem. E convenhamos, as meninas munidas de suas guitarras, baixos e baterias, deixam muitos homens no chão.
Riot Grrrl é feminismo com atitude, para mudar a sociedade e as pessoas com palavras radicais. É ser você mesma, se recusar a mudar o seu jeito por causa da sociedade, não se conformar com certos padrões. Aceitar a beleza em suas mais diversas formas. É ter opinião própria.
Fácil ver como as coisas avançaram, mas como eu disse no começo, há alguns preconceitos tão enraízados que já nem os percebemos.
Mulheres exercendo o mesmo cargo que os homens e ganhando menos. Mulheres humilhadas pelos seus maridos, muitas vezes vítimas de violência física. Mulheres nem tão bonitas nem tão magras sendo desprezadas. Mulheres em buca do corpo perfeito gastando milhões com cirurgias plásticas ou morrendo de anorexia. Letras de músicas insinuando a mulher como simples objeto. Menos de um quinto de mulheres participando da política brasileira. Mulheres são frágeis. Mulheres não podem falar abertamente de sexo pois é vulgar. Apenas mulheres devem ser fiéis. É apenas dever das mulheres cuidar dos filhos e arrumar a casa. Mulheres inteligentes demais não servem pra fuder. É normal homens casados procurarem prostitutas pra se divertirem. Homens mandam na relação e são os chefes da casa. Homens devem obrigatoriamente ganhar mais do que suas parceiras, é humilhante se o salário dela for maior. Homens com muitas mulheres são garanhões. Mulheres com muitos homens são putas. Homens que assistem vídeos pornôs são machos. Mulheres que assistem vídeos pornôs são vacas. Homens devem ser fortes. Mulheres devem ser delicadas.
Ah, qual é? São inúmeros os clichés que ouvimos diariamente. E poxa, NÓS TEMOS QUE SER/FAZER O QUE QUEREMOS! Por que aceitar os esteriótipos que a sociedade nos impõe como corretos? Cada um tem o direito de escolher o que é ou não correto pra si mesmo. Também é da escolha de qualquer um deixar-se ser dominado pelos pensamentos e preconceitos dos outros ou não. A verdadeira mudança tem que partir de cada um de nós. Porque se homem machista já é uó, mulher machista então nem se fala. Cabe a nós, garotas, escolher entre continuarmos presas aos padrões pré-estabelecidos que nos são impostos ou quebrá-los e bancarmos assumir nossas bundas e cérebros.
Como desde o princípio, a luta por igualdade continua.